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Mochila Vermelha

Ter | 22.11.16

António Ribeiro Chiado

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António Ribeiro, também conhecido como o poeta Chiado. Ao contrário do que já li por aí, não foi ele que deu o nome ao Largo Chiado, foi precisamente por ter vivido na Rua do Chiado (mais tarde rebatizada como Rua Garret) que ele ficou conhecido como o poeta Chiado.

 

A maior parte das pessoas que vão ler este post quase de certeza já passaram por ele. Trata-se daquela estátua que está mesmo à frente do Fernando Pessoa a beber o seu café na Brasileira. Pois é, por estar na sombra de um dos escritores portugueses mais famosos acaba por ser muitas vezes deixado de lado. Também por aqui perto estão as estátuas de Camões e Eça de Queiroz, que contribuem ainda mais para que fique em segundo plano. Mas não para a Mochila! Observadora como sempre, tinha que investigar quem foi este Poeta Chiado.

 

António Ribeiro nasceu em Évora, não se sabendo a data nem o local exatos. No entanto, após abandonar a Ordem dos Franciscanos (por ter sido considerado que levava uma vida demasiado leviana) foi viver para Lisboa, para essa zona do Chiado, onde faleceu em 1591.

 

Foi contemporâneo de Camões e mencionado num dos seus versos no Auto de El Rei Seleuco, de forma muito elogiosa: "que uma trova fá-la tão bem como vós, ou como eu, ou como o Chiado". Ele dedicou-se sobretudo a escrever poesia jocosa e satírica, através da descrição de quadros flagrantes da vida social do período em que viveu.

 

O Poeta Chiado pertenceu à "Escola de Gil Vicente" tendo-nos deixado quatro obras (no fundo cinco, mas uma está perdida):

  • Prática de Oito Figuras;
  • Prática dos Compadres;
  • Auto das Regateiras (existe um exemplar na Biblioteca Nacional de Lisboa e outro na Biblioteca Nacional de Madrid);
  • Auto da Natural Invenção;
  • Auto de Gonçalo Chambão, cujo único exemplar pertenceu ao Conde de Sabugosa, hoje perdido.  

 

Para consultar algumas obras digitalizadas clica aqui.

 

Avisos para guardar: do Chiado, frade que foi em Lisboa

Guardar de cão que manqueija

e de homem mui fragueiro;

guardar de quem de ligeiro

em tomar nunca se peja;

guardar de quem deseja

o alheio e quanto vê;

guardar de esperar mercê

por modo de lisongear;

guardar de praticar

entre pessoas não certas;

guardar das encobertas

e de quem falla á vontade;

guardar de fallar verdade

a quem trata com mentira;

guardar de quem suspira

co'o pesar do bem alheio;

guardar de quem sem freio

diz cada vez o que quer;

(...)

António Ribeiro Chiado

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre o Poeta Chiado.

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