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Mochila Vermelha

Qua | 04.05.16

Por falar em alimentação saudável

Desde criança que ouço falar que devemos ter uma alimentação saudável e que “somos o que comemos”. Aprendemos que temos que comer sopa, legumes, saladas, carnes magras, peixe, leguminosas, evitar os açucares, gorduras e o excesso de sal. Parece fácil, não? À partida basta-me ir ao supermercado e adquirir estes alimentos. Mas a realidade não é assim tão simples, isto porque entretanto surgiram certos vilões como os organismos geneticamente modificados (OGM), vulgarmente denominados por transgénicos, e outros como o muito recentemente falado glifosato.

 

Em jeito de curiosidade o primeiro OGM a ser comercializado foi o tomate Flavr Savr, que foi alterado para não apodrecer tão rapidamente (foi autorizado para cultivo e consumo em maio de 1994 nos EUA e retirado em 1997).

 

O primeiro transgénico para cultivo em toda a União Europeia foi o milho MON 810, da Monsanto, autorizado em 1998 pela Comissão Europeia. Em Portugal foi introduzido com propósitos comerciais em 1999, retirado ainda nesse ano e voltou a ser introduzido em 2005.

 

A característica transgénica mais importante, e que ocorre em 59% da área cultivada, é a tolerância a herbicida (o que permite ao produtor aplicar herbicida enquanto a cultura está a crescer sem que esta morra). Consultar dados. E qual será esse herbicida? Nada mais nada menos que os que usam glifosato na sua composição.

 

E porque é que isto é tão preocupante? Para já porque os herbicidas infelizmente são amplamente utilizados em Portugal, em todo o tipo de culturas para preparação dos terrenos, não só nos transgénicos. Em 2014 venderam-se em Portugal 1600 toneladas, o que o torna um dos mais usados no país. Muitos agricultores ao aplicar não respeitam as dosagens, nem os intervalos de segurança. Não existem controlos sobre o nível de glifosato na água que bebemos, nem nos alimentos que ingerimos. E não é apenas na agricultura que o glifosato é usado, também as Câmaras Municipais o usam para matar as ervas daninhas nos passeios, jardins, estradas e cemitérios, de acordo com a notícia publicada no Diário de Notícias, das 308 Câmaras Municipais do país, inquiridas pelo Bloco de Esquerda, se usam glifosato e em que quantidade, 107 responderam, 89 afirmaram que usavam, enquanto apenas 18 disseram que não. Outro alerta prende-se com o facto das rações para os animais serem feitas muitas vezes com recurso a soja e outros cereais trangénicos. Ou seja, direta ou idiretamente acaba por chegar ao nosso prato.

 

Numa reportagem recente, no programa Linha da Frente da RTP1, foi feito um estudo em famílias portuguesas, sobre a concentração de glifosato nos seus corpos, os resultados não poderiam ser piores, a presença deste pesticida na urina é muito elevada. Os resultados portugueses, apesar de não serem representativos, quando comparados com os resultados provenientes de um estudo alemão de 2015, demonstram que o melhor resultado português é três vezes superior ao pior resultado alemão.

 

Para acrescentar mais lenha à fogueira, o glifosato foi declarado como "carcinogéneo provável para o ser humano" pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro da Organização Mundial de Saúde.

 

Vale a pena assistir à reportagem:

 

E nós, que podemos fazer para conseguir ter uma alimentação saudável?

 

A única solução é mesmo optar pelos produtos biológicos e orgânicos certificados. Infelizmente o preço não é convidativo, mas na minha opinião é melhor cortar noutras coisas e investir na nossa saúde. Até porque se todos começarmos a boicotar estes produtos venenosos, optando pelos biológicos, mais agricultores se tornarão produtores biológicos, aumentando a sua oferta no mercado, fazendo com que os preços baixem. Eu pelo menos quero ter essa esperança.

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